quarta-feira, 30 de julho de 2008

DA AMARGURA I

estás aqui outra vez. procuras em vão por quem não volta. deixou tudo pra trás, sem um adeus, um abraço, um olhar. tens fotos, muitas fotos; e nelas há traços, vê? o rosto, as mãos, os cabelos abaixo dos ombros. aquela tarde, pouco antes do céu estrelar, só nós dois dentro do mundo, pequenino mundo feito de nós. tens vídeos, uma dúzia deles; e lá estão as vozes, os gestos, tantos sorrisos, sorrisos que deveriam estar aqui. e não estão. por isso tanto amarguras? mas não é tolice crer num amor infindo?amor infindo... quem aposta numa felicidade que se sustenta, perde. perde, eu disse. quem apostaria no amor?amor, eu disse. quem vai apostar? por isso, abre a gaveta da escrivaninha e pega o caderno. escreve. finge. e descrê. porque a crença emburrece. e é tempo de sangrar.

3 comentários:

Anônimo disse...

é tempo de sangrar e desacreditar em tudo isso, mesmo que seja verdade
porque não seria verdade, seria ilusão tudo que você vê e toca
e num instante não pode mais tocar.
vê? é como mágica
o ilusionista faz graças diante da platéia
assim como o amor ri das histórias que inventam sobre todas as suas mentiras

Lucius Kod disse...

ond te comentar? gavetas? estantes? pontas d lápis? no sangue? são tantos os cantos da casa... mas estou d volta, sentindo o vento pelas janelas, entreabertas. visite-me, gosto d seu ser seco. múltiplo, diria tb (pq tantos blogs?!... rs)

Eternilles disse...

As vezes não dá pra fazr grandes apostas no que a gente não sabe o que de fato é. Então, quem apostará no amor? Ainda mais num amor infindo...na felicidade.
É tempo de sangrar.