sábado, 7 de agosto de 2010

do ensimesmar I

vago. estou entre teus sonhos, mas não os sei. fico-me. as paisagens de mim fizeram-me estranho, e veio o adeus. meço. rodeado por esboços, calculo a solidão que me cabe. sem ti, oculto. a lucidez de nada vale. inverna. eu preciso de paz.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

do amor VI

teus pesadelos, eu os sonharia. do teu silêncio seria a pausa. em teu sorriso, o ruir da tristeza. e quando a morte a mim chegasse, teus cílios seriam meus girassóis.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

da mentira II

mentes. porque teus olhos veem traços em desequilíbrio onde antes havia chagall. porque atravessas nossos mundos sem olhar pros dois lados. porque tornei-me hábito e não me desabitas. porque não partes. nem permaneces. como se fosse possível amiúdar o tempo. ficando aqui. e nunca mais estar.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

do sonhar I

há sonhos que já nascem ocos. costumam voltar. sem tempo certo, mas sempre voltam. algumas vezes, tem a forma de sussurros confusos, deixando a impressão de que somos arremedos de gente. noutras, recontam estórias que deveriam ter sido enterradas - é quando trazem o medo às nossas pálpebras. é quando nos fazem despertar.
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à dani carrara

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

da felicidade V

porque deixamos de ser distraídos a vida calou nossos amanhãs. estamos sós. há um desespero oco devorando quem somos. e isso deveria importar.

sábado, 21 de novembro de 2009

da indiferença I

não importam teus sorrisos semanais ou minhas desculpas diárias porque estamos trancados por dentro e há muito esquecemos dos sonhos a eternidade. seguimos em frente como se nada mais importasse e que fingir estar tudo vai bem fosse um horizonte de novos amanhãs. menos insignificantes e medrosos. ou quem sabe, felizes.

domingo, 2 de agosto de 2009

da mentira I

mentes. ao calar tuas inseguranças. ao supor meus assombros. ao deitar comigo sem que teus poros abram-se ao que respiro. mentes, eu sei. sobrevida? a boa e infalível mediocridade burguesa? judaico-cristã até os ossos. vejo-me diante de um espelho, dirás. refletimo-nos, digo. distorcidos em nossa solidão mesquinha. reptílica. temos casca. frios e abortados de todo sentir. esmolarei sonhos de quem não sabe sonhar. assim, só a queda importará. [e eu te enraizei voo]