Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

da morte I

por que chegas, se o que dizes ao partir é pouco? de ti nada quero porque não calas meus temores. há pouco perdi um amigo. houve lágrimas. atardecia e o sol relutava em fazer-se poente, como se soubesse que sentirás falta de estrelas cadentes. veja, fazia tempos que os irmãos não se abraçavam. você diria que a tristeza não une. apenas recoloca pedaços, cuidadosamente. já perto do adeus, um vazio circundado pela necessidade de crer em algo além da carne foi-nos empurrado goela abaixo. amargo. improvável. houve desespero. amanhecerá outra vez. aos que ficam.

Domingo, 28 de Junho de 2009

da amargura V

agrupar as horas. categorizá-las racionalmente até que o próximo instante faça sentido. parar frente às memórias como se fosse possível arrancar do tempo o avesso da solidão. e em silêncio, olhos vagos, crer nisso a que chamamos amor.

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

da felicidade IV

tropeçamos, sempre. a queda deveria bastar.

Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

da felicidade III

e se fosse amor, mesmo assim acabaria. porque somos ar antes de chão. porque pontuamos virtudes, e não desatinos. míseros, excede-nos o rito quando seríamos carne. atados ao verbo, temos a felicidade em nossas mãos.

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

da felicidade II

a normalidade preenche o vazio, escondendo-nos daquilo que invariavelmente somos – foi o que ela disse. não existia mais juventude em nossos olhos, demorei a perceber. ao amanhecer, assombrávamos um ao outro trocando memórias de lugar. há espelhos no rosto dos que lá fora sorriem. distantes, buscamos luz na cegueira do que chamamos amor.

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

da amargura IV

quando só o que te pertence
é a incorreção da madrugada
a se arrastar ruas afora ...
.
um mero sinal de ternura
e já acreditas que o amanhecer
adormecerá a dor
o desespero
a solidão.

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

do silêncio I

[madrugada] calculo as horas e mesmo assim o tempo esquece seu único fim – deixar-nos passar. estanco a pele aflorada. cuidadosamente, cicatrizo a lucidez. meu sofrer é uma recusa irreparável.

à carol b.